sábado, 20 de junho de 2026

Não tenha medo!

LIBERTAR AS COMUNIDADES DO MEDO

As fontes cristãs apresentam Jesus dedicado a libertar as pessoas do medo. Deixava-o triste ver as pessoas aterrorizadas pelo poder de Roma, intimidadas pelas ameaças dos mestres da lei, afastadas de Deus pelo medo da sua ira, culpabilizadas pela sua pouca fidelidade à lei. Do seu coração, cheio de Deus, só podia brotar um desejo: «Não tenhais medo». São palavras de Jesus que se repetem uma e outra vez nos evangelhos. As que mais se deveriam repetir também hoje na sua Igreja.

O medo apodera-se de nós quando no nosso coração cresce a desconfiança, a insegurança ou a falta de liberdade interior. Este medo é o problema central do ser humano, e só podemos libertar-nos dele enraizando a nossa vida num Deus que só procura o nosso bem.

Foi assim que Jesus o viu. Por isso dedicou-se, antes de mais, a despertar a confiança no coração das pessoas. A sua fé profunda e simples era contagiante: se Deus cuida com tanta ternura dos pardais do campo, os pássaros mais pequenos da Galileia, como não há de cuidar de vós? Para Deus sois mais importantes e queridos do que todos os pássaros do céu. Um cristão da primeira geração recolheu bem esta mensagem: “Entregai a Deus toda a vossa preocupação, que a Ele lhe interessa o vosso bem”.

Com que força falava Jesus a cada doente: «Tem fé. Deus não se esqueceu de ti». Com que alegria os despedia quando via que estavam curados: «Vai em paz. Vive bem». Era o seu grande desejo. Que as pessoas vivessem com paz, sem medos nem angústias: “Não vos julgueis, não vos condeneis mutuamente, não vos façais mal. Vivei de forma amistosa”.

São muitos os medos que fazem as pessoas sofrer em segredo. O medo faz mal, muito mal. Onde cresce o medo, perde-se de vista Deus e sufoca-se a bondade que há no coração das pessoas. A vida apaga-se, a alegria desaparece.

Uma comunidade de seguidores de Jesus deve ser um lugar onde as pessoas se libertam dos seus medos e aprendem a viver confiando em Deus. Uma comunidade onde se respira uma paz contagiante e se vive uma amizade profunda que torna possível escutar hoje o apelo de Jesus: «Não tenhais medo».

 José Antônio Pagola

Tradução de Antônio Manuel Álvarez Perez

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