O NOVO DOMINGO
O domingo já não é o que era há alguns
anos. Em pouco tempo cresceu e tornou-se o
fim de semana, que começa já na sexta-feira à tarde e no qual a maioria pode
viver de forma diferente, escapando às obrigações do trabalho, aos horários
impostos e à rotina diária.
Nem todos vivem o fim de semana da
mesma maneira.
Para alguns é uma verdadeira sorte: têm iniciativa, possibilidades e amigos
para desfrutar desses dias. Para outros é um tempo cruel, pois sentem com mais
força a sua solidão, doença ou velhice; o domingo só desperta neles tristeza e
nostalgia. Outros temem o domingo, não
sabem o que fazer com ele, aborrecem-se; se não houvesse futebol, seria
insuportável.
Teólogos
e liturgistas perguntam-se hoje como será no futuro o domingo cristão.
Reduzir-se-á a uma celebração da missa isolada e sem qualquer ligação com o fim
de semana das pessoas? Pelo contrário, não
será possível uma integração dinâmica dos valores humanos do fim de semana na
mística do domingo?
O
domingo cristão pode ser a alma do fim de semana, ajudando os crentes a
experimentar melhor a sua liberdade de filhos de Deus, sem imposições nem fins
utilitaristas. A eucaristia poderia
ajudar a recuperar a serenidade e reavivar o alento interior. No fim de semana
podemos ser mais nós mesmos.
Por
outro lado, poderia recuperar-se o
sábado como festa da criação. Desta forma, o domingo prosseguiria com a celebração da salvação. Assim pensam
alguns liturgistas. A fé ajudaria então a viver o fim de semana como uma
celebração ao Criador e um encontro com a natureza, não através do trabalho,
mas do desfrute e da contemplação.
Por
fim, a celebração da assembleia eucarística pode dar um sentido mais profundo a
essa outra dimensão do fim de semana, que é a comunicação íntima e gratificante com amigos e familiares, ou o
encontro com outras pessoas e outros povos. O fim de semana pode ser uma experiência de encontro e
comunhão entre irmãos. Crescerá o domingo cristão até ser fermento e sal do
fim de semana da cultura atual? Em todo o caso, podemos fazer uma pergunta: sabemos nós, cristãos, extrair da
eucaristia dominical alento e alegria para viver o novo domingo?
José
Antônio Pagola
Tradução de Antônio Manuel Álvarez Perez
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