Não é possível servir a Deus e ao dinheiro
1117 | Tempo Comum |
Semana XI | Sábado | Mateus 6,24-34
A parte do evangelho de Mateus chamada
“sermão da montanha” é um processo de formação dos discípulos na novidade do
Reino de Deus. Depois de dar exemplos de uma nova interpretação da antiga lei,
e depois de criticar as práticas de piedade (esmola, oração e jejum), Jesus adverte seus discípulos em relação à
tentação do acúmulo doentio e desmedido de bens.
Para falar deste tema, aliás, sempre
espinhoso, Jesus recorre à relação entre
senhor e escravo, uma relação estruturante no império escravocrata de Roma
sob o qual viviam Jesus e seu povo: o escravo faz parte da propriedade do
senhor; quando não serve mais, não se dedica exclusivamente ou despreza seu
senhor, é simplesmente descartado. Assim, a
riqueza se converte num chefe tirano: não
está a serviço da pessoa, mas se apropria da vida dela e não admite nenhum
concorrente.
Para Jesus, o problema não está na necessidade de comer, de
vestir, de ter uma moradia. Estas não são preocupações desprezíveis, mas
necessidades profundamente humanas, que a sociedade deve garantir até para quem
não tem meios próprios. O problema é o
materialismo, a busca de ter sempre mais. Este desejo insaciável é gerado
por uma ansiedade que nunca consegue se acalmar, e nos leva de preocupação a
preocupação, numa ansiedade indestrutível e destruidora.
O problema é exatamente esta
“necessidade” de ter sempre mais, de dominar as condições da existência, e de
conseguir isso unicamente para si, competindo impiedosamente com tudo e com
todos. Este desejo de açambarcar tudo
e todos, com a maior rapidez possível, acaba fazendo-nos senhores implacáveis e
nos transformando em escravos, invertendo a relação entre as pessoas e as
coisas.
Para Jesus, esta
preocupação de satisfazer as necessidades através do acúmulo e da competição é
coisa de gente sem fé. E é um
caminho sem fim, porque cada dia impõe uma nova preocupação, cada meta atingida
pede mais. Para o discípulo, o reino de
Deus – a fraternidade, a justiça, a misericórdia – é a única preocupação
legítima, e deve ser pedida na oração, buscada na vida e testemunhada na
sociedade. O verdadeiro rico é quem precisa se poucas coisas para viver.
Sugestões para a meditação
Deixe
ressoar em você este ensino inovador de Jesus, que ele viveu em primeira
pessoa: confiar no Pai como uma criança, buscar o Reino de Deus, deixando o
resto nas mãos do Pai
Preste
atenção às metáforas que Jesus busca na vida cotidiana: a relação entre patrão
e empregado; a beleza das flores; a liberdade e a confiança dos pássaros; as
preocupações que nunca acabam...
Que
sentido fazem estas palavras de Jesus num mundo que reduz os sonhos de muita
gente à simples sobrevivência biológica?
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