Um coração para amar, ao me criar tu me deste
1109 | Solenidade do
S. Coração de Jesus | Mateus 11,25-30
Na solenidade do Sagrado Coração de
Jesus interrompemos a reflexão sobre a formação que Jesus oferece aos
discípulos sobre Reino de Deus (cf. Mt 5-7), mas permanecemos ainda com Mateus,
antecipando um texto que meditaremos mais adiante. Ao falarmos de Jesus com a metáfora do coração, queremos sublinhar a
sua humanidade. Deus é humano, tem um corpo, tem um coração, e “haja
coração!”
No imaginário bíblico, o coração designa o
núcleo da identidade ou centro dinamizador dos relacionamentos e compromissos
da pessoa. Pode ser equiparado ao termo moderno “consciência”, que diz respeito à tomada de decisões. Não
tem nada a ver com sentimento! Celebrar
o coração de Jesus e seu caráter sagrado significa superar uma imagem de Deus
reduzido a um juiz implacável e sem coração, a um sujeito solitário,
inacessível e desprovido de traços humanos.
Na cena de hoje, situada num contexto de
rejeição de sua pessoa e sua mensagem, Jesus
eleva seu louvor ao Pai pelos discípulos humildes, cansados e abatidos que
entendem e acolhem o caminho do Reino de Deus, o pequeno caminho,
pavimentado de pequenas coisas possíveis. E sublinha que faz parte do querer de Deus que a elite do judaísmo nada consiga
entender. Depois disso, Jesus como que, “abre seu coração” àqueles que o
seguem e que ele ama.
A alegria e consolo de Jesus é que, para encontrar alívio dos fardos que
carregamos, sigamos seus passos. Sua palavra e suas ações abrem as portas da liberdade e da
humanização, e todos precisamos
aprender dele e com ele a reconhecer e promover, em palavras e ações, o Reino
de Deus, que suscita e inaugura práticas, estruturas, relações, prioridades
e perspectivas alternativas. Seu caminho
não está infestado de alfândegas, mas povoado de enfermarias, como diria o
Papa Francisco.
O jugo ou caminho de Jesus não é canga
que amarra e domina, mas leveza que
nos torna mais humanos. E ele nos convida a aprender do seu coração a mansidão e a bondade, pois nele não há espaço para a indiferença, a
vingança e a violência. O coração de Jesus, ou o Reino que ele encarna e
antecipa é suave, bom e amável, é
misericórdia e compaixão infinitas, que afirmam, reabilitam e libertam os sofredores
e oprimidos. Assim devem ser nossas comunidades, estas devem ser
a marca registrada das nossas igrejas.
Sugestões para a meditação
Deixe ressoar em você a oração de louvor que brota da
boca de Jesus e seu convite intenso e caloroso para que se aproximar e aprender
dele
O que a ênfase no coração, na concretude humana e na
compaixão de Jesus podem ensinar para nossas igrejas, comunidades e famílias?
O que podemos fazer para que a imagem do Sagrado
Coração de Jesus não sejam reféns de uma piedade intimista e desligada do todo
do Evangelho?
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