Maria, Mãe dos aflitos que estão junto à cruz
1110 | Memória do
Imaculado Coração de Maria | Lucas 2,41-52
Ontem celebrávamos a solenidade do
Sagrado Coração de Jesus. Hoje, nos é proposta a festa do Imaculado Coração de Maria. Em ambas as celebrações, precisamos
evitar o risco de imaginar e apresentar Jesus como um ser errante e solitário,
que não conheceu a beleza exigente da vida em família, assim como de pintar e
apresentar Maria como uma espécie de divindade etérea, isolada do mistério do
Reino de Deus vivido, revelado e proposto por Jesus.
O texto que meditamos na festa de hoje não tem
nada de fábula infantil ou de anedota. Tem
tudo a ver com o núcleo fundamental que dinamizou a vida de Jesus: o empenho em
fazer a vontade do Pai (que é reunir todas as pessoas na única família do
Pai), inclusive mediante a superação dos vínculos da família patriarcal e,
principalmente, através da cruz. É isso
que, mesmo sem entender cabalmente, devemos guardar e meditar em nosso coração,
como Maria.
Nesta cena, a nossa atenção não pode se desviar do seu núcleo, que é a palavra de
Jesus a seus pais (a primeira palavra que Jesus pronuncia no evangelho de Lucas):
“Não sabeis que devo estar na casa
(ou me ocupar das coisas) de meu Pai?”
Trata-se da sua própria identidade e missão de Filho de Deus. E essa “estadia” na casa do Pai supõe a
“saída” das “cercas” estreitas família de sangue e do judaísmo mediante a
entrega generosa e sem reservas na cruz. Jesus não se perde no templo; ele
decide alargar o horizonte da família.
Mas a festa do Coração de Maria nos pede
também uma atenção especial às atitudes
de Maria. Ao lado do marido e junto com o Filho, Ela peregrina com seu povo e cultiva suas tradições religiosas. A
angústia por perder o filho de vista, e o susto que teve ao encontrá-lo entre
os mestres da lei, nos remete à dificuldade
de assimilar o sentido da sua missão, paixão e morte. Ademais, Jesus escapa
ao nosso controle...
Maria não se
resigna à dificuldade inicial de entender o caminho e as palavras de Jesus.
Conservando e interpretando no coração os fatos e as palavras, inclusive a
paixão e a morte do filho, ela se mostra
discípula exemplar, peregrina despojada, mulher de fé e reflexão. Seu
coração – sua vida corporal e sua atitude de fé! – é imaculado porque ela acreditou na Palavra que lhe foi
anunciada e colocou-se, de modo incondicional, a serviço da realização da
Vontade de Deus.
Sugestões para a meditação
Deixe-se
envolver pela cena: a peregrinação da Galileia a Jerusalém, a perde de Jesus de
vista, o encontro de Jesus com os doutores da lei...
Maria,
na sua dificuldade de compreender a palavra e a escolha de Jesus, é retrato de
todo discípulo de que virá depois dela
Será
que, acolhendo e interrogando os fatos no coração, Maria não nos convida a uma
fé lúcida, reflexiva e amadurecida?
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