segunda-feira, 29 de junho de 2026

O mar e o medo

Jesus dissolve o medo e revigora a nossa fé

1127 | Tempo Comum | Semana XIII | Terça-feira | Mateus 8,23-27

A cena de hoje é uma sequência daquela de ontem, na qual Jesus advertia e corrigia quem deseja ser seu discípulo sem se dar conta da novidade, das exigências e das rupturas que essa decisão comporta. Hoje contemplamos a travessia anunciada anteriormente, e a cena nos remete às situações de dificuldade acarretadas pelo seguimento de Jesus e pelas travessias para situações culturais novas e hostis.

Na travessia, Jesus vai à frente, como mestre e guia. Mas ele já havia dito que a estrada que conduz ao Reino de Deus é estreita, e que a sua porta não é larga. Ele havia falado também da força destruidora dos temporais sobre a vida embasada numa adesão que fica não se faz prática. A agitação do mar é uma alusão indireta a isso, e também às ameaças e à tirania do império romano, símbolo de todos os sistemas de dominação.

Depois de tomar a iniciativa da travessia, Jesus dorme, tranquilo e confiante, no barco agitado pelas ondas. Os discípulos se agitam mais que o mar, pois não têm a confiança demonstrada pouco antes pelo centurião romano. Eles revelam medos não superados e fé insuficiente; interpelam e questionam Jesus, como se ele não se importasse com os riscos que ameaçam aqueles que o seguem.  Essa não é uma situação isolada, mas uma sensação que se repete, inclusive hoje.

Antes de responder à interpelação que lhe dirigem, Jesus questiona e desafia a qualidade da fé dos discípulos que o acompanham. Eles precisam efetivamente construir a casa sobre a rocha! Depois, Jesus “ameaça” e põe o mar no seu devido lugar. Como o mar, também os discípulos se acalmam, e ficam admirados. Mais que isso, eles se perguntam sobre a identidade desse Jesus que eles seguem, e percebem que ainda não o conhecem suficientemente, nem conhecem a si mesmos.

As adversidades enfrentadas com serenidade e confiança nos ajudam a aprofundar o conhecimento sobre Jesus Cristo e põem à prova a nossa fé. Precisamos perguntar-nos sempre de novo sobre quem é nosso guia e quem somos nós. Precisamos também rever e questionar com atenção, seriedade e serenidade os fundamentos sobre os quais construímos nossa vida.

 

Sugestões para a meditação

Jesus está plenamente confiante na necessidade e no êxito da sua missão, tanto que repousa tranquilamente

Os discípulos são tomados pelo medo e até duvidam se Jesus está minimamente preocupado com eles

Quais são as travessias que mais lhe amedrontam e imobilizam? Em que situações você teve a impressão de que Jesus esteve alheio?

De que modo tais situações ajudam você a conhecer melhor Jesus Cristo e a você mesmo e à sua família ou comunidade?

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