Qual é a mensagem
que ressoa na nossas redes?
947 | Tempo do Natal
| João 1,19-28
Estamos no ciclo litúrgico do Natal, mas hoje somos
convidados a meditar uma cena que envolve Jesus já adulto (embora, logo mais,
na festa da epifania, voltaremos a uma cena de Jesus recém-nascido). A cena de
hoje envolve a pessoa de João Batista, precursor do Reino de Deus, profeta e
testemunha de Jesus. Prestemos atenção a esta cena, que é a primeira do evangelho
segundo João. Antes dela temos apenas o poema teológico que conhecemos como
prólogo.
João
desenvolve sua missão profética num tempo de múltiplas e duras opressões, mas
também de intensa expectativa em relação ao surgimento de uma novidade benéfica
para os oprimidos. O contexto é o da dominação política e militar dos romanos.
Ele se afasta do templo, o centro religioso e político daquilo que restava de
Israel, e escolhe o deserto como lugar para viver, discernir o querer de Deus e
orientar o povo.
João
batizava, e o batismo era um rito suspeito. Naquele contexto, batizar e perdoar
os pecados significava contestar a autoridade do templo e dos sacerdotes,
roubar os “clientes” que os sustentavam com suas ofertas. Ao mesmo tempo,
sinalizava uma mudança de senhorio, de lealdade ou de submissão. Algumas
tradições ligavam essa mudança com o aparecimento do Messias enviado de Deus,
também chamado Profeta, às vezes identificado com o retorno de Elias.
Inquietos
com a pregação e o batismo de João, os homens que controlam e dirigem o templo
enviam um grupo de fariseus para se informar com detalhes sobre as ações de
João. Diante deles, João assume sua identidade de testemunha e de precursor:
ele sabe que não é o esperado, que o Messias está vindo logo depois dele, e já
está presente, e que sua missão é ser voz que grita pedindo que os líderes
religiosos não dificultem os caminhos do povo. Ele é a voz, e depois dele vem a
Palavra que se faz carne.
João não se coloca no centro,
nem acima de ninguém. Ele prepara as pessoas não para serem discípulos seus,
mas para se tornarem discípulos de Jesus. João diz que ninguém desamarra as
sandálias de Jesus, um gesto com significado muito particular: quando morria um
membro da família casado e sem filhos, um irmão deveria casar com a viúva e
dar-lhe descendência; se não assumisse esse papel substitutivo, alguém desamarrava
publicamente suas sandálias. João não faz isso, pois Jesus cumpre sua missão.
Ele vem para resgatar uma multidão de filhos e filhas para Deus.
Sugestões para a meditação
§ Releia o texto lentamente, detendo-se em naqueles que
são os enviados, em quem os envia, e quais são as perguntas que eles fazem a
João
§ Observe a resposta de João, assim como as imagens que
ele usa para falar de si mesmo e sua missão, e para falar de Jesus
§ Será que algumas lideranças cristãs não estão caindo
na tentação de aparecer mais do que Jesus, que dizem anunciar?
§ Quais seriam hoje as palavras e gestos mais
eloquentes para falar de Jesus e da nossa condição de cristãos