quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Uma voz silenciada

Qual é a mensagem que ressoa na nossas redes?

947 | Tempo do Natal | João 1,19-28

Estamos no ciclo litúrgico do Natal, mas hoje somos convidados a meditar uma cena que envolve Jesus já adulto (embora, logo mais, na festa da epifania, voltaremos a uma cena de Jesus recém-nascido). A cena de hoje envolve a pessoa de João Batista, precursor do Reino de Deus, profeta e testemunha de Jesus. Prestemos atenção a esta cena, que é a primeira do evangelho segundo João. Antes dela temos apenas o poema teológico que conhecemos como prólogo.

João desenvolve sua missão profética num tempo de múltiplas e duras opressões, mas também de intensa expectativa em relação ao surgimento de uma novidade benéfica para os oprimidos. O contexto é o da dominação política e militar dos romanos. Ele se afasta do templo, o centro religioso e político daquilo que restava de Israel, e escolhe o deserto como lugar para viver, discernir o querer de Deus e orientar o povo.

João batizava, e o batismo era um rito suspeito. Naquele contexto, batizar e perdoar os pecados significava contestar a autoridade do templo e dos sacerdotes, roubar os “clientes” que os sustentavam com suas ofertas. Ao mesmo tempo, sinalizava uma mudança de senhorio, de lealdade ou de submissão. Algumas tradições ligavam essa mudança com o aparecimento do Messias enviado de Deus, também chamado Profeta, às vezes identificado com o retorno de Elias.

Inquietos com a pregação e o batismo de João, os homens que controlam e dirigem o templo enviam um grupo de fariseus para se informar com detalhes sobre as ações de João. Diante deles, João assume sua identidade de testemunha e de precursor: ele sabe que não é o esperado, que o Messias está vindo logo depois dele, e já está presente, e que sua missão é ser voz que grita pedindo que os líderes religiosos não dificultem os caminhos do povo. Ele é a voz, e depois dele vem a Palavra que se faz carne.

João não se coloca no centro, nem acima de ninguém. Ele prepara as pessoas não para serem discípulos seus, mas para se tornarem discípulos de Jesus. João diz que ninguém desamarra as sandálias de Jesus, um gesto com significado muito particular: quando morria um membro da família casado e sem filhos, um irmão deveria casar com a viúva e dar-lhe descendência; se não assumisse esse papel substitutivo, alguém desamarrava publicamente suas sandálias. João não faz isso, pois Jesus cumpre sua missão. Ele vem para resgatar uma multidão de filhos e filhas para Deus.

 

Sugestões para a meditação

§  Releia o texto lentamente, detendo-se em naqueles que são os enviados, em quem os envia, e quais são as perguntas que eles fazem a João

§  Observe a resposta de João, assim como as imagens que ele usa para falar de si mesmo e sua missão, e para falar de Jesus

§  Será que algumas lideranças cristãs não estão caindo na tentação de aparecer mais do que Jesus, que dizem anunciar?

§  Quais seriam hoje as palavras e gestos mais eloquentes para falar de Jesus e da nossa condição de cristãos