sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Semana da Pátria (7)


Estamos celebrando a Semana da Pátria. Como sempre, os riscos de um patroitismo ingênuo, seletivo xenófobo nos rondam. Não podemos esquecer que o brado retumbante do povo heróico não se resume ao discutível grito de Dom Pedro. Outros sonharam a liberdade, sofreram por este sonho, e prepararam a terra com as próprias mãos e o próprio sangue a fim de que ela germinasse. Os raios fúlgidos do sol da liberdade brilharam aqui e acolá, mas continuam ameaçados por temporais diversos. O penhor da igualdade sonhada continua sendo desafio. A pátria é amada e até idolatrada, mas o povo ainda é desprezado. O Brasil da igualdade, da justiça e da sustentabilidade é ainda, em grande parte, um sonho intenso. As poucas glórias do passado ainda esperam pela justiça presente e pela paz futura. Ontem como hoje, muitos são os filhos e filhos desta mãe gentil que não fogem à luta. Entre tantos, vamos recordar alguns/mas.

Herbert de Sousa

“O desenvolvimento humano só existirá se a sociedade civil afirmar cinco pontos fundamentais: igualdade, diversidade, participação, solidariedade e liberdade.” (Betinho)

Herbert José de Souza, ou Betinho, nasceu em 3 de novembro de 1935, na cidade de Bocaiúva, Minas Gerais. Irmão do cartunista Henfil e do músico Chico Mário, era de uma família de oito irmãos. Seu pai trabalhava numa penitenciária. Nos primeiros dias de vida foi acometido de hemofilia.

Estudou sociologia na Universidade de Minas Gerais, formando-se em 1962. Trabalhou no Ministério da Educação e Cultura e na Secretaria da Reforma Agrária. Durante o golpe militar exilou-se no Uruguai. Quando retornou, conseguiu emprego como operário, na cidade paulista de Mauá.

Retornou ao exílio em 1971, morou no Chile, onde lecionou na Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais e trabalhou com o presidente Salvador Allende.

Fugiu da ditadura chilena, morou no Canadá e no México. Formou-se doutor na Universidade do México. Em 1979, retornou ao Brasil e, em 1981, fundou o IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas) . Em 1990, liderou o movimento Terra e Democracia que lutava pela democratização da terra.

Nesta época, já lutava contra o HIV, adquirido em 1985, em transfusões de sangue no tratamento da hemofilia. Entre 1986 e 1997 dirigiu a ABIA, para defender os portadores do vírus da AIDS. Em 1992, liderou movimento político pelo impeachment do Collor.

Em 1993, foi eleito pelo Jornal do Brasil como o “homem de idéias do ano”. Faleceu em 9 de agosto de 1997, aos 61 anos, em sua casa no bairro de Botafogo.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Semana da Pátria (6)


Estamos celebrando a Semana da Pátria. Como sempre, os riscos de um patroitismo ingênuo, seletivo xenófobo nos rondam. Não podemos esquecer que o brado retumbante do povo heróico não se resume ao discutível grito de Dom Pedro. Outros sonharam a liberdade, sofreram por este sonho, e prepararam a terra com as próprias mãos e o próprio sangue a fim de que ela germinasse. Os raios fúlgidos do sol da liberdade brilharam aqui e acolá, mas continuam ameaçados por temporais diversos. O penhor da igualdade sonhada continua sendo desafio. A pátria é amada e até idolatrada, mas o povo ainda é desprezado. O Brasil da igualdade, da justiça e da sustentabilidade é ainda, em grande parte, um sonho intenso. As poucas glórias do passado ainda esperam pela justiça presente e pela paz futura. Ontem como hoje, muitos são os filhos e filhos desta mãe gentil que não fogem à luta. Entre tantos, vamos recordar alguns/mas.

Josué de Castro

“A verdade é que os povos chamados subdesenvolvidos já se aperceberam da profunda contradição que existe entre os preceitos morais de igualdade, fraternidade e humanitarismo, pregados e defendidos pelos teorizantes da civilização ocidental e a crua e cínica disputa pelo lucro a que se entregam os grupos mercantilistas dominantes nos países bem desenvolvidos e industrializados do mundo. 
(Josué de Castro)

Josué Apolônio de Castro nasceu em 5 de setembro de 1908, em Recife. Estudou medicina na Bahia e no Rio de Janeiro, começou a exercer a profissão em Recife, onde já observava desde pequeno as dificuldades sóciais que sentida na pele. Era inquieto e, através da medicina, queria encontrar soluções para o problema da fome no país.
Promoveu o primeiro inquérito sobre as condições de vida dos operários em Recife, estudo que serviu de base para outros Estados e que e contribuiu para a fixação de salário-mínimo e o reconhecimento dos trabalhadores nos anos 30. Em 1935, transferiu-se para o Rio de Janeiro, com o objetivo de transformar o ensino universitário.
Em 1938, estagiou no Instituto Bioquímico de Roma e ministrou cursos nas Universidade de Roma, Nápoles e Gênova. Retornou ao Brasil em 1939, e começou a lecionar na Faculdade de Filosofia, Ciências e letras da Universidade do Brasil, atual UFRJ.
Em 1942, foi eleito Presidente da Sociedade Brasileira de Nutrição e criou o Serviço de Alimentação da Previdência Social (SAPS). Tornou-se mundialmente conhecido ao publicar os livros Geografia da Fome (1946) e Geopolítica da Fome (1951), obras traduzidas em 24 idiomas.
Foi eleito Presidente do Conselho da Organização para a Alimentação e a Agricultura das Nações Unidas (FAO). De 1955 a 1963, exerceu o mandato de Deputado Federal por Pernambuco, pelo Partido Trabalhista Brasileiro, mas renunciou para assumir o posto de embaixador brasileiro junto à ONU em Genebra. Demitiu-se durante o golpe militar de 31 de março de 1964, tendo seus direitos políticos cassados em 9 de abril de 1964. Lutou até a morte pela Associação Internacional de Luta contra a Fome. Faleceu em Paris, durante o exílio, em 1973, aos 65 anos de idade.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Semana da Pátria (5)


Estamos celebrando a Semana da Pátria. Como sempre, os riscos de um patroitismo ingênuo, seletivo xenófobo nos rondam. Não podemos esquecer que o brado retumbante do povo heróico não se resume ao discutível grito de Dom Pedro. Outros sonharam a liberdade, sofreram por este sonho, e prepararam a terra com as próprias mãos e o próprio sangue a fim de que ela germinasse. Os raios fúlgidos do sol da liberdade brilharam aqui e acolá, mas continuam ameaçados por temporais diversos. O penhor da igualdade sonhada continua sendo desafio. A pátria é amada e até idolatrada, mas o povo ainda é desprezado. O Brasil da igualdade, da justiça e da sustentabilidade é ainda, em grande parte, um sonho intenso. As poucas glórias do passado ainda esperam pela justiça presente e pela paz futura. Ontem como hoje, muitos são os filhos e filhos desta mãe gentil que não fogem à luta. Entre tantos, vamos recordar alguns/mas.

Chico Mendes

“Atenção jovem do futuro! 6 de setembro de 2110, festa do primeiro centenário da revolução socialista mundial, que unificou todos os povos do planeta em um só ideal e um só pensamento de unidade socialista, e que pôs fim a todos os inimigos da nova sociedade. Aqui fica apenas uma recordação do triste passado de dor, sofrimento e morte... Desculpem, eu estava sonhando quando escrevi estes acontecimentos que eu mesmo não verei. Mas tenho o prazer de havê-los sonhado.” (Chico Mendes)

Francisco Alves Mendes Filho nasceu no dia 15 de dezembro de 1944, em Serigal Porto Rico, estado do Acre. Filho de seringueiros, sem condições de estudar, iniciou na profissão do pai aos nove anos de idade.  Aprendeu a ler aos 20 anos de idade.
Chico Mendes tornou-se líder de um movimento de resistência social e pacífico, defendeu a floresta e os direitos dos seringalistas, organizou movimentos a favor do meio ambiente.
Chico Mendes participou das lutas dos seringueiros contra o desmatamento, alcançando apoio internacional. Criou o Conselho Nacional de Seringalistas para defender as condições de vida e trabalho das comunidades locais. Entrou em conflito com grandes proprietários de terras e empresários do setor de madereiras.
Em 1977, foi eleito vereador de Xapuri pelo MDB, cujo partido não apoiava suas lutas e intenções. Em 1979, por ter promovido debates entre igreja, sociedade civil e sindicatos na Câmara Municipal da cidade, era constantemente ameaçado de morte e vista com olhas grandes pela ditadura da época. E acabou sendo preso e  torturado.
Chico Mendes foi dirigente do recém-fundado Partido do Trabalhadores (PT) no Acre. Em 1982, presidiu o Sindicato dos Trabalhadores de Xapuri. Em 1985, liderou o Encontro Nacional dos Seringueiros e foi procurado pelo setor ambiental da ONU.
Chico Mendes denunciou o desmatamento e a expulsão de seringueiros de suas terras no Congresso Norte Americano, o que gerou cortes de investimentos do Banco Mundial em terras amazônicas.
As ameaças de morte tornaram-se cada mais intensas. Chico Mendes morreu em 22 de dezembro de 1988, aos 44 anos, assassinado na porta de sua casa. Os assassinos foram julgados e condenados a 19 anos de prisão.

23° Domingo do Tempo Comum


“Ele faz os surdos ouvirem e os mudos falarem.”
(Is 35,4-7; Sl 145/146; Tg 2,1-5; Mc 7,31-37)

Estamos no mês de setembro, dedicado à Palavra de Deus. Somos todos/as interpelados/as a abrir nossos ouvidos a um Deus que continua falando palavras que despertam e conduzem à vida plena. Não se trata de voltar a atenção a simples textos codificados, por mais belos e profundos que sejam. O essencial mesmo é manter com Deus uma relação dialogal. Mais que adoração e louvor, ele espera de nós escuta e resposta. Que o Senhor toque e abra nossos ouvidos e solte nossa língua, como fez com o personagem do evangelho de hoje, para que não sejamos como os discípulos que, tendo olhos e ouvidos perfeitos, não conseguem ver e ouvir a novidade realizada por Jesus Cristo (cf. Mc 8,18). Oxalá possamos provar e proclamar com a vida que a Palavra de Deus é como a chuva que lava e como o fogo que abrasa: passando por nós ela sempre deixa um sinal de mudança.
“Javé abre os olhos dos cegos e endireita os encurvados.”
O ditado popular diz que fé cega é faca amolada. E a experiência demonstra que todos as instituições e movimentos religiosos são humanos e históricos, não isentos de ambiguidade e contradição. O próprio cristianismo não escapa a esse condicionamento. Herdamos do cristianismo dos dois últimos séculos uma religião privatizada, marcada por um dualismo que opoõe corpo e alma, ignora a história e prioriza o perdão dos pecados morais e a salvação espiritual da alma.
A Palavra de Deus nos revela outros elementos irrenunciáveis à fé que recebemos da comunidade apostólica. E um deles é o casamento inseparável entre fé e vida. O próprio conceito de salvação tem um conteúdo bem concreto, que Isaías descreve poeticamente: “Então os olhos dos cegos vão se abrir, e se abrirão também os ouvidos dos surdos; os aleijados saltarão como cervo e a língua do mudo cantará, porque jorarão águas no deserto e rios na terra seca...”
A salvação é a tranformação de uma situação de carência e míngua em abundância e vitalidade. Quando uma religião se perverte em pura doutrina ou moral inflexível, torna-se uma perigosa faca amolada que ameaça e fere. Quando uma religião esconde suas próprias contradições, corre o risco de se tornar intolerante e absolutista. E quando uma Igreja se refugia em falsos espiritualismos e intimismos, trai sua vocação humanizadora e fazendo da indiferença uma virtude.
“Tudo ele tem feito bem.”
A fé é força que gera vida. A presença de Deus é dinamismo de mudança. A Palavra de Deus está ali para testemunhar que ele ouve clamores, conhece sofrimentos, abre os olhos dos cegos e os ouvidos dos surdos, desce para fazer subir, congrega os dispersos, acolhe os desprezados, ressuscita os mortos. O cristianismo não é formol para conservar corpos mortos mas sementeira na qual germina a vida. E certamente este dinamismo de mudança começa nas pessoas, começa em nós.
No trecho do Evangelho proposto neste domingo, Marcos nos conta que Jesus vai a Sidônia, passa por Tiro e chega até nossa casa e nossas comunidades. Também hoje ele quer tocar com sua mão a língua daqueles/as que falam com dificuldade e curar o ouvido de quem não consegue ouvir os outros. E Jesus começa por curar nossa dificuldade de escutar e entender sua Palavra e de ouvir nossos irmãos e irmãs com despojada atenção.
Às vezes temo que as propostas pastorais que insistem no aumento do tempo dedicado à oração (frequentemente repetitiva) tem como objetivo evitar que escutemos a Palavra viva de Deus. Ora, afé em Jesus Cristo é um processo de adesão cada vez mais profunda que nos leva ao encontro da nossa verdadeira humanidade: escuta, abertura, acolhida, compaixão, partilha, comunhão, cooperação. É um caminho que restaura em nós a imagem de Deus segundo a qual fomos criados/as.
“A fé que tendes em Jesus Cristo não deve admitir acepção de pessoas.”
Marcos nos apresenta Jesus percorrendo caminhos que, apra algumas pessoas, parecem estranhos. A região de Tiro, Sidônia e da Decápole eram habitadas por pagãos. E com a passagem de Jesus brilham novas possibilidades de vida para a filha de uma mulher nascida na Fenícia e para um surdo-mudo anônimo. Em sua peregrinação no santuário das dores e esperanças humanas, Jesus sempre dá prioridade absoluta aos últimos da escala social, aos pobres e desprezados.
São muitas as pessoas que ainda hoje têm dificuldade de engolir esta opção preferencial de Jesus pelos últimos. Não falta inclusive gente de fé aparentemente ilibada que desejaria excluir da bíblia textos como este de São Tiago, que pede que em nossas comunidades  não façamos distinção de pessoas em favor dos ricos e nobres. “Não foi Deus que escolheu os que são pobres aos olhos do mundo para torná-los ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu àqueles que o amam?”
“Efatá! Abre-te!”
A lógica de Deus nos parece paradoxal. Não entra nos nossos ouvidos, não entra na nossa cabeça. Acolhendo um pagão doente e necessitado e tocando seus ouvidos e sua língua, Jesus despreza as prescrições religiosas e sanitárias. Jesus age fazendo uso da própria salivam mesmo sabendo que a saliva era considerada contagiosa e nojenta, como os excrementos humanos. Jesus rompe a distância, toca fisicamente o doente, o contágio é revertido e o surdo-mudo é curado.
Mas Jesus faz questão de não agir sob os refletores e câmaras, sempre sedentos de imagens capazes de impressionar. “Jesus se afastou com o homem para longe da multidão...” Faz o contrário de muitos que hoje, em nome de Jesus, transformam a fé em espetáculo e inventam curas ao vivo e a cores, escarnecendo dos doentes, manipulando a fé do povo necessitado e extorquindo deles os poucos recursos que lhes sobram.
Estamos um pouco como aquele homem que se comunicava com dificuldades. Nossos ouvidos parecem surdos às Palavras que escapam da nossa lógica e questionam nossos interesses. Nossa língua parece presa, especialmente quando se trata de recriar o Evangelho da liberdade e da humanização. Precisamos que Jesus Cristo toque nossos ouvidos, coloque sua saliva na nossa língua, converta a nossa mente e libere a nossa comunicação.
“Quanto maisele insistia, mais eles o anunciavam.”
Diante da compaixão de Jesus por dois pagãos e da aurora de uma nova vida para eles, a multidão ficou entusiasmada. Ela via com os próprios olhos que Deus abre os olhos dos cegos, endireita os encurvados, protege os estrangeiros, sustenta os órfãos e as viúvas, como celebra o Salmo 145/146. Estava impressionada com a liberdade de Jesus frente ao código de pureza e de honra, que conferia status e honra a alguns e desprezava outros.
E então de pouco adiantou a recomendação para que não espalhassem o que estavam presenciando. “Quanto mais ele recomendava, mais eles pregavam.” Não é possivel calar diante de tamanha liberdade frente os costumess e tradições que discriminam e de tão profunda humanidade frente às pessoas desprezadas. “Jesus faz bem todas as coisas.” A proclamação do Evangelho brota naturalmente das profundezas da alma das pessoas que o experimentam.
“Coragem! Nada de medo!”
Jesus, tu és compassivo e perfeito em tudo o que fazes e verdadeiro em tudo o que dizes. Visitas a região de Tiro e de Sidônia e em qualquer rincão perdido e desprezado deste mundo vens ao encontro de quem perdeu a capacidade de escutar e a coragem de falar. E, com gestos discretos e firmes, abres nossos ouvidos e libertas nossa palavra. Não podemos calar esta Boa Notícia, mesmo quando seu anúncio provoca riscos. Hoje te pedimos: envia à Igreja teu Espírito de liberdade, a fim de que ela possa vencer o velho e terrível hábito de honrar os ricos e poderosos e não se preocupar com os empobrecidos e injustiçados. Abre nossos ouvidos à tua santa Palavra, para que não desistamos de crer e de esperar o belo e santo dia em que os estropiados dançarão alegremente, a língua dos mudos explodirá numa solene melodia coral e o duro chão das instituições será regado e amolecido pela água benfazeja. Que teu corpo e sangue doados em sinal de aliança nos alimentem e ajudem a transformar em lavoura e jardim a terra hoje ocupada pelos chacais. Assim seja! Amém!
Pe. Itacir Brassiani msf

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Semana da Pátria (4)


Estamos celebrando a Semana da Pátria. Como sempre, os riscos de um patroitismo ingênuo, seletivo xenófobo nos rondam. Não podemos esquecer que o brado retumbante do povo heróico não se resume ao discutível grito de Dom Pedro. Outros sonharam a liberdade, sofreram por este sonho, e prepararam a terra com as próprias mãos e o próprio sangue a fim de que ela germinasse. Os raios fúlgidos do sol da liberdade brilharam aqui e acolá, mas continuam ameaçados por temporais diversos. O penhor da igualdade sonhada continua sendo desafio. A pátria é amada e até idolatrada, mas o povo ainda é desprezado. O Brasil da igualdade, da justiça e da sustentabilidade é ainda, em grande parte, um sonho intenso. As poucas glórias do passado ainda esperam pela justiça presente e pela paz futura. Ontem como hoje, muitos são os filhos e filhos desta mãe gentil que não fogem à luta. Entre tantos, vamos recordar alguns/mas.

Frei Caneca

“Não posso contar os meus males, / Nem a mim mesmo em segredo; / É tão cruel o meu fado, / Que até de mim tenho medo.”  (Frei Caneca)

Joaquim do Amor Divino Rabelo Caneca, mais conhecido como Frei Caneca,  nasceu na cidade do Recife, em julho de 1779. Exerceu atividades como sacerdote, jornalista e ‘cientista político’. Fez seus votos religiosos no Convento do Carmo, em Pernambuco.

Aderiu ao movimento republicano de Pernambuco e freqüentou um dos centros de conspiração política, a Academia do Paraíso. Participou das tropas revoltosas do movimento de independência de 1817, foi preso e levado para Salvador, onde permaneceu preso até 1821.

Em 1822, a instauração da monarquia de D. Pedro I, e a constituição de 1824, abriu caminhos para a dissolução da Assembléia Constituinte. Em julho de 1824, os líderes pernambucanos anunciaram a formação de uma nova república, a Confederação do Equador.

Sem apoio esperado de países estrangeiros e sem forças perante a monarquia, o movimento foi cercado e a coluna de Frei Caneca pega pelas tropas legalistas. Frei Caneca foi preso e levado ao calabouço, sendo sentenciado a morrer na forca.

Apesar de pedidos e manifestações de religiosos, Frei Caneca foi levado à forca no dia 13 de janeiro de 1825. Ninguém quis executar a tarefa de carrasco, e ele acabou sendo morto por fuzilamento, em Recife.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Semana da Pátria (3)


Estamos celebrando a Semana da Pátria. Como sempre, os riscos de um patroitismo ingênuo, seletivo xenófobo nos rondam. Não podemos esquecer que o brado retumbante do povo heróico não se resume ao discutível grito de Dom Pedro. Outros sonharam a liberdade, sofreram por este sonho, e prepararam a terra com as próprias mãos e o próprio sangue a fim de que ela germinasse. Os raios fúlgidos do sol da liberdade brilharam aqui e acolá, mas continuam ameaçados por temporais diversos. O penhor da igualdade sonhada continua sendo desafio. A pátria é amada e até idolatrada, mas o povo ainda é cdesprezado. O Brasil da igualdade, da justiça e da sustentabilidade é ainda, em grande parte, um sonho intenso. As poucas glórias do passado ainda esperam pela justiça presente e a paz futura. Ontem como hoje, muitos são os filhos e filhos desta mãe gentil que não fogem à luta. Entre tantos, vamos recordar alguns/mas.

Nísia Floresta

“Os homens não podendo negar que nós somos criaturas racionais, querem provar-nos a sua opinião absurda, e os tratamentos injustos que recebemos, por uma condescendência cega às suas vontades; eu espero, entretanto, que as mulheres de bom senso se empenharão em fazer conhecer que elas merecem um melhor tratamento e não se submeterão servilmente a um orgulho tão mal fundado” (Nísia Floresta).

Considerada pelos historiadores como a primeira jornalista feminina do Brasil, Nísia Floresta nasceu em 12 de outubro de 1810, na cidade de Papari, no estado do Rio Grande do Norte. Também trabalhou como educadora, poetisa e escritora, ficou conhecida pelo pseudônimo de Nísia Floresta Brasileira Augusta. Seu nome verdadeiro era Dionísia.

Era filha do português Dionísio Gonçalves Pinto e da brasileira Antônia Clara Freire, casou-se duas vezes. Se casou pela primeira vez aos 13 anos de idade, se separando meses depois. De volta para a casa dos pais, mudou-se com a família para Pernambuco.

Em 17 de agosto de 1828, começou a viver com Manuel Augusto de Faria Rocha, acadêmico em Direito. Em 1830, teve a sua filha Lívia Augusta. Em 1831, começou a escrever no jornal Espelho das Brasileiras, impresso de propriedade do francês Adolphe Emille de Bois Garin.

O jornal era feito para as senhoras pernambucanas, e durante 30 edições Nísia abordava sobre as condições de vida das mulheres em diferentes culturas. Em 1832, publicou seu primeiro livro “Direitos das mulheres e injustiça dos homens”, no mesmo ano muda-se com o marido e a filha para a cidade Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

Em 12 de janeiro de 1833, teve o segundo filho, Augusto Américo. Em Porto Alegre lança a segunda edição de seu livro. No mesmo ano, fica viúva com dois filhos para criar. Em 1837, foge do agito da Revolução Farroupilha, e se muda para o Rio de Janeiro.

No Rio, funda o “Colégio Augusto” e lança a terceira edição de seu livro. Em 1842, lança “Conselhos à minha filha”, em homenagem a sua filha Lívia, obra que viria a receber reedições e traduções. Em 1849, viaja para a Europa com os dois filhos, mesmo estando em Paris, o seu romance “Dedicação de uma amiga” é lançado em Niterói.

Em 1852, retorna ao Brasil, e no ano seguinte lança “Opúsculo humanitário”. Em 1855, sua nova obra “Páginas de uma vida obscura” é publicada em oito capítulos no jornal O Brasil Ilustrado. Novos artigos e obras seriam publicadas no mesmo jornal, como “O Pranto Filial” em 31 de março de 1856.

Nesse período fecha o Colégio Augusto e começa a trocar cartas com o filósofo Augusto Comte. O filósofo morreria em 1857, nesse período obras da escritora são traduzidas para a Europa.

A escritora morreu em 24 de abril de 1885, aos 75 anos, na França, depois de sofrer de pneumonia, tendo seus restos mortais transferidos em 1954 para o Rio Grande do Norte, na antiga cidade de Papari, atual cidade Nísia Floresta.

Por uma evangelização nova (1)


Um Conselho Pontifício para promover a ‘nova evangelização’.

No dia 21 de Setembro de 2010, Festa de São Mateus, Apóstolo e Evangelista, o Papa Bento XVI instituiu, com o motu proprio Ubicunque et Semper, o Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização. Este novo Conselho Pontifício tem o objetivo  estimular a reflexão sobre os temas da nova evangelização e identificar e promover as formas e os instrumentos aptos para realizá-la (cf. Art. 1). No Artigo 2 diz-se que este Conselho “está ao serviço das Igrejas particulares, especialmente nos territórios de tradição cristã, onde o fenómeno da secularização se manifesta com mais evidência” e buscará seus objetivos “em colaboração com os demais Dicastérios e Organismos da Cúria Romana, no respeito pelas respectivas competências”.
O Artigo 3 do referido motu proprio apresenta suas tarefas específicas: a) aprofundar o significado teológico e pastoral da nova evangelização; b) promover e favorecer o estudo, a difusão e a aplicação do Magistério pontifício relativo às temáticas vinculadas à nova evangelização; c) dar a conhecer e incentivar iniciativas ligadas à nova evangelização já em curso nas várias Igrejas particulares e promover a realização de outras novas; d) estudar e favorecer a utilização das formas de comunicação modernas, como instrumentos para a nova evangelização; e) promover o uso do Catecismo da Igreja Católica, considerado a formulação essencial e completa do conteúdo da fé para os homens do nosso tempo.
Bento XVI se refere explicitamente às motivações contextuais que o levaram a tomar esta iniciativa: a) o processo de afastamento da fé em curso nas sociedades e culturas antes impregnadas pelo Evangelho; b) a preocupante perda do sentido do sagrado, conjugada com o questionamento de alguns dos seus fundamentos indiscutíveis (como a fé num Deus criador e em Jesus como único salvador, compreensão do sentido da vida, lei natural); c) a progressiva difusão do indiferentismo, do secularismo e do ateísmo nos países ricos, aliada à secularização e a difusão das seitas nos países pobres.

O Papa está preocupado fundamentalmente com os países ricos e tecnologicamente desenvolvidos do Ocidente, onde vê “regiões que parecem quase completamente descristianizadas”, e  com as “Igrejas de antiga fundação”.  Bento XVI busca em Paulo VI a idéia de que a Igreja é, por origem e natureza, voltada à evangelização, mas reduz seu foco à apresentação da revelação de Deus em Jesus Cristo. Ele não está interessado no violento e nem sempre lento genocídio ao qual são submetidos os povos e nações pobres e pressupõe que todos saibam e estejam de acordo sobre o que seja a ‘nova evangelização’.
Pretendendo assumir a preocupação dos seus Predecessores, Bento XVI diz que considera oportuno “oferecer respostas adequadas a fim de que a Igreja inteira, deixando-se regenerar pela força do Espírito Santo, se apresente ao mundo contemporâneo com um impulso missionário capaz de promover uma nova evangelização”. Está convicto de que todas as Igrejas que vivem nos “territórios tradicionalmente cristãos” necessitam mesmo substancialmente de um “renovado impulso missionário”, de uma “profunda experiência de Deus”. O Papa está preocupado com o renovamento interno da Igreja, com sua limpeza e purificação, mas não com reformas estruturais. E sonha com a restauração da influência do cristianismo católico – da instituição eclesiástica! – no mundo ocidental. Para isso, dispõe do Catecismo, “formulação essencial e completa do conteúdo da fé”.
Com esta visão e este intuito, Bento XVI criou um novo Conselho Pontifício. O mundo norte-atlântico ocupa o centro das suas atenções. A idéia de uma (artigo indefinido) nova evangelização vem formulada como a (artigo definido) nova evangelização. É dado à luz um novo Conselho Pontifício sem que sejam estabelcidas claramente suas relações com outros Conselhos já existentes que se ocupam da mesma questão (Pontifício Conselho para a Cultura, Pontifício Conselho para a Comunicação Social, Congregação para a Evangelização dos Povos). Uma visão mais global do mundo e da Igreja, uma definição mais cuidadosa do objeto que dá nome ao novo instituto, às suas relações com os demais e com as Igrejas particulares não podem ser considerados elementos secundários.
Itacir Brassiani msf

domingo, 2 de setembro de 2012

Semana da Pátria (2)


Estamos celebrando a Semana da Pátria. Como sempre, os riscos de um patroitismo ingênuo, seletivo xenófobo nos rondam. Não podemos esquecer que o brado retumbante do povo heróico não se resume ao discutível grito de Dom Pedro. Outros sonharam a liberdade, sofreram por este sonho, e prepararam a terra com as próprias mãos e o próprio sangue a fim de que ela germinasse. Os raios fúlgidos do sol da liberdade brilharam aqui e acolá, mas continuam ameaçados por temporais diversos. O penhor da igualdade sonhada continua sendo desafio. A pátria é amada e até idolatrada, mas o povo ainda é cdesprezado. O Brasil da igualdade, da justiça e da sustentabilidade é ainda, em grande parte, um sonho intenso. As poucas glórias do passado ainda esperam pela justiça presente e a paz futura. Ontem como hoje, muitos são os filhos e filhos desta mãe gentil que não fogem à luta. Entre tantos, vamos recordar alguns/mas.

Antônio Conselheiro

"É chegado o momento para me despedir de vós. Que pena, que sentimento tão vivo ocasiona esta despedida em minha alma... Adeus  povo,adeus aves, adeus árvores, adeus campo, aceitai a minha despedida, que bem demonstra as gratas recordações que levo de vós, que jamais se apagarão da lembrança deste peregrino...” (Despedida de Antônio Conselheiro)

No dia 13 de março de 1830, nasce, no sertão do Ceará, na Vila do Campo Maior, Antonio Vicente Mendes Maciel, filho do comerciante Vicente Mendes Maciel e de Maria Joaquina de Jesus. Mais tarde viria a ter o apelido de Antônio Conselheiro.

Desde sua juventude sentiu e percebeu as injustiças praticadas contra o povo pobre do sertão (composto por ex-escravos, indígenas mestiços) e cresceu nele o desejo de libertar este povo das péssimas condições em que viviam.
Tornou-se educador e missionário leigo e, durante suas pregações pelo sertão, durante mais de 20 anos, foi deixando por onde passava as marcas de sua fé e do seu compromisso social, construindo, mediante trabalho comunitário, pequenas represas, capelas, cemitérios, etc.

Conselheiro casou-se com Brasilina Laurentina de Lima, sua prima, aos 27 anos. Quatro anos depois, Conselheiro flagrou sua esposa traindo-o com um sargento em sua própria casa. Então, bandonou o lar e foi para o Cariri.

Depois de vinte anos de peregrinação pelo nordeste (ele perambulou pelo Ceará, Sergipe, Pernambuco e Bahia), amado pelo povo e visto como um messias ou um profeta por alguns, imcompreendido e perseguido pelas autoridades, Conselheiro observou de perto o atraso em que o povo se encontrava e o descontentamento que eles sentiam.

Assim, resolveu, na última década do século XIX, pôr em prática seu objetivo de formar uma comunidade igualitária: Belo Monte (Canudos, no interior da Bahia). Rapidamente, a comunidade cresceu e tornou-se uma das maiores cidades do nordeste, com 25.000 habitantes, bem organizada, religiosa, produtiva e comunitária.

A reação das pessoas de posses, dos políticos e de alguns setores da igreja, deflagrou Guerra dos Canudos, que teve seu início em 1896 e a maior guerra camponesa do século XIX. As três primeiras expedições militares foram derrotadas pelos sertanejos. A quarta expedição da polícia e do exército, formada por milhares de homens, potentes canhões e liderada por Artur Oscar, conseguiu, no dia 5 de outubro de 1897, tomar a cidade de Canudos.

Todos os habitantes foram mortos (nem as crianças foram poupadas). Canudos virou cinzas, mas também tornou-se, por seu sonho e resistência, símbolo de luta e esperança de um outro Brasil. Vítima de ferimentos causados pela explosão uma granada, Antonio Conselheiro morreu em 22 de setembro de 1897.

sábado, 1 de setembro de 2012

Semana da Pátria (1)


Estamos celebrando a Semana da Pátria. Como sempre, os riscos de um patroitismo ingênuo, seletivo xenófobo nos rondam. Não podemos esquecer que o brado retumbante do povo heróico não se resume ao discutível grito de Dom Pedro. Outros sonharam a liberdade, sofreram por este sonho, e prepararam a terra com as próprias mãos e o próprio sangue a fim de que ela germinasse. Os raios fúlgidos do sol da liberdade brilharam aqui e acolá, mas continuam ameaçados por temporais diversos. O penhor da igualdade sonhada continua sendo desafio. A pátria é amada e até idolatrada, mas o povo ainda é cdesprezado. O Brasil da igualdade, da justiça e da sustentabilidade é ainda, em grande parte, um sonho intenso. As poucas glórias do passado ainda esperam pela justiça presente e a paz futura. Ontem como hoje, muitos são os filhos e filhos desta mãe gentil que não fogem à luta. Entre tantos, vamos recordar alguns/mas.

Sepé Tiaraju

“Terra e mãe, natural liberdade:
é por ti minha luta, pra ti minha lealdade!” 

No dia 7 de fevereiro de 1756 morria, em São Gabriel (RS), Sepé Tiaraju, índio guerreiro guarani que se tornou líder das milícias indígenas na batalha contra as tropas luso-brasileira e espanhola na Guerra Guaranítica.

Esse conflito aconteceu por conta do Tratado de Madrid (1750), que exigia a retirada da população guarani que ali vivia fazia 150 anos. A posse da região ainda seria tema do Tratado de Santo Ildefonso (1777) e do Tratado de Badajoz (1801).

Sepé Tiaraju morreu durante combate contra o exército espanhol na batalha de Caiboaté, na entrada da cidade de São Gabriel, durante a invasão inimiga às aldeias dos Sete Povos. Após sua morte, outros 1500 guarani foram mortos.

Nascido em uma data não conhecida em um dos aldeamentos jesuíticos dos Sete Povos das Missões, Sepé Tiaraju foi batizado com o nome cristão de Joseph.

Na região, viviam aproximadamente 30 mil guaranis. Se fossem contabilizados os indígenas do Paraguai e da Argentina, o total subia para 80 mil.

Os luso-ibéricos tinham interesse na saída destes povos por conta da extensão das terras e também por causa do grande rebanho de gado, o maior das Américas, mantido pelos indígenas.

Segundo o Frei Luiz Carlos Susin, Sepé Tiaraju tem algo mais que incomoda. “Ele pode ser comparado a um São Luiz IX e uma Santa Joana D’Arc para a identidade da França profunda e moderna, que foram políticos de corpo e alma, sem hesitar em pegar em armas e incitar à cruzada e à guerra. Tornaram-se divisores de identidade, incômodos para uns e heróis para outros.”

Uma destruição massiva: a geopolítica da fome (2)


O Papa João Paulo II ensina que a promoção dos Direitos Humanos é um dos novos âmbitos da missio ad gentes (cf. Redemptoris Missio, 37). A ONU incluiu o direito à alimentação entre os Direitos Humanos (cf. artigo 25). É nessa perspectiva que publico aqui uma série de breves textos sobre o escândalo da fome e o direito humano à alimentação. São informações e reflexões que simplesmente traduzo e resumo do recente livro Destruction massive. Géopolitique de la faim, de Jean Ziegler, relator especial da ONU para o direito à alimentação, de 2000 a 2008. O livro foi publicado em outubro de 2011, pela editora Seuil (Paris).



Faixa de Gaza: uma prisão a céu aberto

Uma das crises alimentares atuais e prolongadas mais dolorosas é a que se abate sobre a população da Faixa de Gaza, consequência direta do bloqueio econômico imposto por Isarel e Egito (com a cumplicidade das potências ocidentais) aos palestinos.

O território de Gaza é uma faixa de terra de 41 km x 12 km, situada na costa oriental do mar Mediterrâneo, próxima à fronteira com o Egito. Mais de 1,5 milhão de pessoas se amontoam nesta área de 365 km2! A maioria é composta de refugiados ou descendentes de refugiados, consequência das guerras entre israelitas e árabes de 1947, 1967 e 1973.

Embora Gaza esteja administrativamente sob a Autoridade Palestina, a partir de 2005 o espaço aéreo, as águas e as fromteiras terrestres são controladas por Israel. Este construiu cercas elétricas reforçadas por minas terrestres, de modo que Gaza se tornou “a maior prisão a céu aberto do planeta” (p. 65).

Com o bloqueio imposto por Israel e Egito a partir de 2006, a situação alimentar se deteriorou ainda mais. Em 2010 o desemprego golpeava 81% da população economicamente ativa. As receitas por habitante caíram à metade e, em 2010, 8 em cada 10 pessoas recebiam menos de 1,25 dólares por dia. Resultado: 34% dos habitantes de Gaza estavam gravemente subalimentados. Em 2010, de cada 5 famílias, 4 só faziam uma refeição por dia. 80% da população dependia da ajuda internacional para sobreviver.

Este povo é punido por ações sobre as quais não tem nenhuma responsabilidade. O bombardeamento aéreo perpretado por Israel em 27 de dezembro de 2008 matou 1.444 palestinos. Mais de 6.000 homens, mulheres e crianças acabaram feridos, amputados, queimados e mutilados. Os israelitas destróem sistematicamente a infraestrutura civil, como aconteceu o único moinho de trigo de Gaza, assim como com a usina de purificação da água, em 2009. Este povo ficou sem pão e sem água.

Em 2011, para evitar uma fome generalizada e e muito visível, Tal-Aviv permitiu a entrada de algum alimento. Israel organiza e administra estrategicamente a subalimentação e a subnutrição. A finalidade é fazer o povo de Gaza sofrer, a fim de que se revoltem contra o poder do Hamas. “A este fim político, o governo de Tel-Aviv utiliza a arma da fome.” (p. 64-68)